LULA VÊ “LAWFARE” EM DENÚNCIA DA ZELOTES: DEVANEIO E PERSEGUIÇÃO

A
defesa do ex-presidente Lula condenou, nesta sexta-feira (9), em nota, o
“espetáculo midiático” em torno de uma nova denúncia contra o
petista, dentro da Operação Zelotes. Os advogados Cristiano Zanin Martins e
Roberto Teixeira afirmam que nem Lula nem seu filho, Luis Claudio, tiveram
acesso à denúncia. Na nota, eles também negam qualquer participação de Lula e
de seu filho na compra dos aviões caças da empresa sueca SAAB, nem na
prorrogação de benefícios fiscais relacionados ao processo, alvo da denúncia.
“A denúncia ofertada é fruto de novo devaneio de
alguns membros do Ministério Público que usam das leis e dos procedimentos
jurídicos como forma de perseguir Lula e prejudicar sua atuação política,
fenômeno que é tratado internacionalmente como “lawfare”.  Uma das táticas
de “lawfare” consiste na propositura de sucessivas ações judiciais sem
materialidade contra o inimigo político, para que todo o seu tempo fique
voltado à realização de depoimentos e à sua defesa judicial e, ainda, para
gerar na opinião pública a ideia de uma suspeita difusa”, afirma a defesa.
Abaixo a nota:
Nota
A denúncia ofertada hoje (09/12/2016) pelo Ministério
Público Federal contra o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu filho
Luis Claudio Lula da Silva, dentre outras pessoas, baseia-se em procedimentos
que tramitavam de forma oculta e sem acesso à defesa. 

Nem mesmo após a divulgação da denúncia por meio de nota, foi permitido que a
defesa tivesse acesso ao teor da acusação. Essa recorrente forma de atuação do
Ministério Público Federal, de transformar a denúncia em um espetáculo
midiático em detrimento da defesa, abala a cada dia o já sucumbindo Estado
Democrático de Direito no País, além de impedir, neste momento, o enfrentamento
dos fundamentos utilizados pelos Procuradores da República que subscrevem o
documento.

Nem o ex-Presidente Lula nem seu filho participaram ou tiveram conhecimento de
qualquer ato relacionado à compra dos aviões caças da empresa sueca SAAB,
tampouco para a prorrogação de benefício fiscais relativos à Medida Provisória
nº 627/2013, convertida na Lei nº 12.973/2014. Luis Claudio recebeu da
Marcondes & Mautoni remuneração por trabalhos efetivamente realizados e que
viabilizaram a realização de campeonatos de futebol americano no Brasil.

Afirmar que Lula interferiu no processo de compra dos caças em 2014 significa
atacar e colocar em xeque as Forças Armadas Brasileiras e todas as autoridades
que acolheram o parecer emitido por seus membros.

Ao afirmar que Lula interferiu na aprovação de medidas provisórias e de leis, o
Ministério Público Federal ataca todo o Parlamento brasileiro e demais
autoridades que participaram desses atos.

A denúncia ofertada é fruto de novo devaneio de alguns membros do Ministério
Público que usam das leis e dos procedimentos jurídicos como forma de perseguir
Lula e prejudicar sua atuação política, fenômeno que é tratado
internacionalmente como “lawfare”. 

Uma das táticas de “lawfare” consiste na propositura de sucessivas ações
judiciais sem materialidade contra o inimigo político, para que todo o seu
tempo fique voltado à realização de depoimentos e à sua defesa judicial e,
ainda, para gerar na opinião pública a ideia de uma suspeita difusa.

Até o momento, já foram ouvidas mais de 20 testemunhas arroladas pelo próprio
Ministério Público Federal em relação a outras duas ações propostas contra Lula
e todas elas negaram a acusação. É o exemplo de como Lula tem sido acusado de
forma irresponsável e gratuita por alguns membros do Ministério Público Federal
que claramente usam do cargo para promover ações políticas. Um dos Procuradores
da República que subscrevem a denúncia mantinha em conta nas redes sociais
diversas publicações ofensivas a Lula e a membros do seu partido. Embora o fato
tenha sido levado ao conhecimento do Conselho Nacional do Ministério Público
nenhuma providência foi tomada, permitindo ao agente público usar de suas
atribuições para promover uma vingança contra Lula.

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