AUMENTO DE IMPOSTO DESNECESSÁRIO

A
Dora, funcionária da padaria que frequento, ganha um pouco mais de um salário
mínimo, mas paga R$ 140 de energia elétrica. O que já era um absurdo vai piorar
com o “pacote de maldades” do Governo do Estado. A partir de janeiro, a Dora
vai pagar 40% a mais de imposto sobre a conta de luz. O ICMS para quem consome
menos de 500 quilowatts/hora vai passar de 12% para 18% (quem consome acima
desse limite vai pagar 27%). E não para por aí. Vai ter aumento na telefonia,
na TV por assinatura, na gasolina e no álcool. O Ribamar, marido da Dora, que é
taxista e já paga caro pelo combustível, não gostou nada disso, se sente
enganado por ter votado no governo comunista.
Pior
que o aumento do imposto é a desculpa que o governo deu para esta ação
equivocada. Segundo o governador, “a medida se destina a proteger dos efeitos
da crise os maranhenses que precisam do Estado.” No entanto, aumentar impostos
agrava ainda mais a crise econômica, principalmente quando afeta diretamente os
menos favorecidos. A lógica invertida de transferir dinheiro da população para
a inchada e ineficiente máquina do governo pode, aí sim, colocar o Maranhão no
mesmo patamar dos estados “quebrados,” a exemplo do Rio de Janeiro. O governo
tem que cortar na própria carne, reduzir despesas e criar incentivos para a
economia voltar a crescer. Impostos reduzem o poder de compra da população e em
momentos de crise geram falências e demissões. O PIB encolheu 0,33% no último
trimestre, 16 mil postos de trabalho foram perdidos só em 2015. O Maranhão que
crescia a uma média de 10% ao ano, gerava empregos e ainda tinha condições de
bancar a conta de energia elétrica para 100 mil famílias pelo programa Viva
Luz, ficou para trás.
Flávio
Dino recebeu o governo com um percentual da despesa com pessoal de 38,70% em
janeiro de 2015 (no final do ano passou a ser 42,83%) e dívidas que equivaliam
a 57,04% (após 12 meses subiram para 68,28%) da receita do estado. O governador
Pezão recebeu o Rio de Janeiro com dívidas equivalentes a 195,17% da receita.
Mas, apesar de ter recebido uma máquina enxuta em comparação com outros estados
e com recursos do BNDES de extraordinários R$ 2 bilhões em caixa, o governo
cometeu uma verdadeira lambança nas contas públicas, aumentou o custeio em 15%,
onerou a máquina, contraiu novas dívidas e hoje é a administração com o maior
número de Secretarias do Brasil, são 29, enquanto Goiás, por exemplo, tem
apenas 10.
Após
verificar o tamanho dos erros cometidos no primeiro ano de governo, o remédio
amargo do governador foi o de reduzir os investimentos públicos, em 2015 deixou
de investir R$ 1 bilhão para pagar despesas, e aumentar os impostos, passou a
cobrar mais ICMS, tanto que houve aumento de 17% nas receitas tributárias,
dinheiro de mais impostos para concertar o erro do governo.
A
perversidade é tanta que nem mesmo os gordos recursos da Repatriação, de R$ 286
milhões, o segundo maior do país, e os novos empréstimos que somam incríveis R$
600 milhões, são suficientes para saciar a sede comunista de taxar, onerar e
prejudicar a população. E neste final de ano temos mais essa medida nefasta
para a economia de nosso estado. Mas, medidas impopulares parecem não afetar as
decisões de Flavio Dino, que sempre tem a tal da “oligarquia” para culpar. E ao
culpar, é agressivo, indelicado, imprudente e demonstra todo o seu lado
autoritário.

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