RODA VIVA COM TEMER FOI A MORTE DO JORNALISMO

 Muito
interessante o “Brasil do Temer” que foi apresentado no Roda Viva, na TV
Cultura, desta segunda-feira (14). Lembrando que são seis meses e um dia a
frente do executivo – o ministério foi nomeado dia 13 de maio de 2016, há 6
meses.
Há seis meses, o dólar estava 3,52, hoje está 3,40.
Há seis meses, o desemprego estava batendo 11%,
hoje está em 12%. A bolsa pouco mudou também.
São seis meses e nenhum indicador mudou de forma
considerável. A única coisa que de fato mudou é que não se lê mais a palavra
“crise” nas capas da mídia tradicional. A famosa crise deixou de aparecer,
ficou tímida e não faz mais atuação, nem mesmo uma pontinha.
A grande mídia e os jornalões resolveram ouvir o
conselho de Temer: não fale em crise, trabalhe.
No Roda Viva desta segunda, por exemplo, não foi
citada a palavra “crise” nenhuma vez.
No primeiro bloco, Michel Temer respondeu à
jornalista Catanhêde dizendo que ele se preocupa, sim, com a saúde e com a
educação. Que votou em tempo recorde diversos projetos de lei, como há muito
não se votava.
No segundo, teve orgulho de dizer que não se fala
mais em CPMF. Que agora, em seu governo, está gastando só o que arrecada e que
não é preciso criar mais nenhum tributo.
Ainda no segundo bloco, disse que “admite, mas
lamenta” as ocupações nas escolas. E que no seu tempo não era assim. Aproveitou
para dizer que fazer a reforma do ensino médio via MP foi uma boa ideia, pois
“incendiou o país” e “acendeu o debate“. Belo motivo para editar uma MP de um
assunto tão importante!
O programa permaneceu assim durante os próximos
blocos, mas nada, absolutamente nada, superou a última pergunta de Noblat, no
último bloco, nos últimos minutos de programa:
“Temer, como você conheceu a Marcela?”
Um jornalista que, em tese, se diz sério, em
momento delicado de nossa democracia, pergunta como o presidente conheceu a sua
atual esposa.
Poderia ser feita pelo Leão Lobo ou pela Ana Maria
Braga, mas foi feita por Ricardo Noblat.
O cenário reflete o serviço que o programa da TV
Cultura parece ter cumprido ao presidente: marketing. Isso porque poucos
momentos após a entrevista, Temer agradeceu ao jornalista Wilian Corrêa, também
diretor de jornalismo do canal, pelo espaço de “propaganda” cedido.

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