Ministro Marco Aurélio determina quebra de sigilo de Waldir maranhão

O presidente interino
da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), teve seu sigilo bancário quebrado por ordem
do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello. A decisão
foi tomada no dia 27 de junho, mas só foi divulgada nesta segunda-feira (4),
pelo jornal Folha de São Paulo.
A ação no STF decorre da Operação Miqueias,
deflagrada pela Polícia Federal em setembro de 2013, que apurava a existência
de uma rede de empresas de fachada usadas para lavagem de dinheiro que estavam
no nome do Fayed Antoine Traboulsi, e que teria desviado 50 milhões de reais.
Em um dos esquemas, Maranhão aparece como intermediário.
Segundo a PF, o grupo usava contas bancárias de
empresas fantasmas que eram abastecidas com dinheiro relacionado à venda de
títulos a diversos fundos de previdência estaduais e municipais. De acordo com
as investigações, o esquema usava corretores de valores para cooptar prefeitos
e gestores dos fundos de previdência, com o objetivo de adquirir papeis podres
– que não têm valor no mercado e que a curto e médio prazos gerariam prejuízos
aos fundos. Em troca da aquisição, os criminosos remuneravam os agentes
públicos com dinheiro e presentes.
Em maio deste ano, uma reportagem da VEJA revelou que
quando Maranhão assumiu a presidência da Câmara após o STF afastar o
deputado Eduardo Cunha
 (PMDB-RJ) – que, em um dos casos
investigados pela PF, o deputado aparece como intermediário de um
“negócio” de 6 milhões de reais com a prefeitura de Santa Luzia, no
interior maranhense. Em troca, o parlamentar teria recebido 1% da operação:
60.000 reais.
Um participante do esquema contou aos
investigadores que uma parte da comissão – 10.000 reais – foi depositada na
conta da mulher de Waldir Maranhão. O pedido, disse a testemunha, foi feito
pelo próprio deputado, que “precisava do dinheiro para pagar uma viagem
para o Rio de Janeiro”, às vésperas do réveillon.
Durante as investigações, Waldir Maranhão foi
flagrado em conversas telefônicas com o doleiro quando o esquema estava no
auge. Nos diálogos, o deputado aparece como um legítimo funcionário do doleiro:
chega a marcar encontros de Fayed com prefeitos aliados, faz visitas a
autoridades para resolver assuntos de interesse do esquema e atua como captador
de novos negócios para a quadrilha.

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