Waldir Maranhão desfaz manobra que ajudaria deputado Eduardo Cunha

O presidente interino da
Câmara Federal, Waldir Maranhão (PP-MA), decidiu desfazer a última
manobra que havia patrocinado para socorrer Eduardo Cunha. Ele vai retirar da
Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) uma consulta que, se aprovada,
permitiria à infantaria de Cunha apresentar no plenário da Câmara emenda
sugerindo a adoção de uma pena alternativa, mais branda do que a cassação do
mandato.
O ofício que formaliza a
retirada da consulta foi assinado por Maranhão em segredo, no início da tarde
de quinta-feira (16). Após rubricá-lo, o deputado voou para o seu Estado,
sem dar publicidade à providência. Seu gesto revela uma rachadura no grupo de
apoiadores de Cunha, autodenominado ‘centrão’. Maranhão puxa o tapete de Cunha
porque sente-se traído por ele.
O palco da discórdia foi a
recém-criada CPI do DPVAT. No papel, destina-se a investigar fraudes no
pagamento do seguro a vítimas de acidentes de trânsito. Maranhão revelou um
insuspeitado interesse pelo tema. E indicou o deputado Luís Tibet (PTdoB-MG)
para presidir a CPI. A tropa de Cunha patrocinou outro nome: Marcos Vicente
(PP-ES). Sem acordo, os contendores foram à sorte dos votos. E Vicente prevaleceu
sobre Tibet, o preferido de Maranhão, por 15 votos a 13.
Maranhão enxergou na derrota
as digitais de Cunha. Abespinhado, decidiu retaliar. Daí a retirada da consulta
que enviara à CCJ. A peça tinha como relator na comissão o deputado Arthur Lira
(PP-AL), um investigado da Lava Jato que executa ordens de Cunha.
Carlos Marun (PMDB-MS), outro
aliado, já havia reconhecido em público que a intenção do grupo era propor no
plenário, como alternativa à cassação de Cunha, uma suspensão por três meses.
Algo que, se vingasse, resultaria em impunidade —o STF já suspendeu Cunha do
exercício do mandato e da presidência da Câmara por tempo indeterminado.
Derrotado no Conselho de Ética
por 11 votos a 9, Cunha passou a apostar na CCJ. Ali, sem a manobra de Maranhão,
terá de jogar todas suas fichas na aprovação de recurso anulando o processo de
cassação do seu mandato. Longe dos refletores, os partidos do centrão promovem
uma dança de cadeiras na CCJ. Trocam adversários de Cunha por parlamentares
amestados. Sabem que, no plenário da Câmara, forma-se uma densa maioria a favor
da descida da lâmina.
O líder do governo, André
Moura (PSC-SE), outro encrencado na Lava Jato e também alistado na milícia
parlamentar de Cunha, assistiu à derrota do candidato de Waldir Maranhão na
disputa pela presidência da CPI do DPVAT. O plano original de Cunha era que o
próprio Moura, hoje um dos seus soldados mais leais, comandasse a CPI. Mas o
acúmula da função com o cargo de líder revelou-se incompatível.
O presidente da CPI será o
deputado Wellington Roberto (PP-PB). No Conselho de Ética, ele entregou a alma
a Cunha. Sua familiaridade com o universo dos seguros DPVAT é nenhuma. Marcos
Vicente, o relator, tampouco entende da matéria. Ligado à CBF, ele integra a
bancada da bola. A despeito de tudo, a dupla deve ter milhões de razões para
querer comandar uma CPI que levará grandes seguradoras à berlinda.
Fonte: UOL

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