Polícia investiga encontro de delegado com jornalista da Globo Cesar Tralli

A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo investiga encontro de delegado com
César Tralli e um produtor especial da Globo. Eles foram flagrados no último
dia 20 descendo de um carro da polícia estacionado sobre a calçada de uma rua
dos Jardins, bairro nobre de SP. A denúncia repercutiu nas redes sociais.
Globo, Tralli e o delegado negam uso do carro da polícia

Por DANIEL
CASTRO
,

A
Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo instaurou uma averiguação preliminar
para investigar um encontro do delegado Antonio de Olim com o jornalista
Cesar Tralli, apresentador do SP TV 1ª Edição, telejornal local da Globo. 

Em
nota, a corregedoria informou apenas que investiga Olim por causa de uma
denúncia em rede social. A investigação é secreta. O Notícias da TV apurou,
no entanto, que seu principal objetivo é investigar se o delegado usou um
patrimônio público (um carro) para favorecer os jornalistas da Globo.

Segundo
denúncia feita à corregedoria a partir de uma publicação no Facebook, Olim
teria usado um carro da polícia descaracterizado para transportar Tralli e o
também jornalista Robinson Cerântula, produtor especial do Jornal
Nacional, o que pode vir a ser caracterizado como falta funcional. Tanto a
Globo quanto o delegado negam que Tralli e Cerântula tenham usado o carro da
polícia.

O
delegado só foi denunciado porque parou o carro sobre a calçada rua Haddock
Lobo, nos Jardins, um dos bairros mais nobres de SP, para evitar a
enxurrada que corria pela rua e molharia seus calçados. Indignada com a
infração de trânsito e sem saber que se tratava de um carro da polícia, uma
moradora do bairro, Rebeca Anafe, tirou uma foto e a publicou no Facebook.
Seu protesto já foi compartilhado mais de 1.400 vezes.

Junto
com a foto, ela publicou o seguinte relato, no último dia 20:

 
Brasil,
o país onde todos fazem o que querem! Estava tomando café na [Casa] Bauducco da
rua Haddock Lobo, esperando a chuva passar, para eu conseguir atravessar a
rua (já que os bueiros não dão conta e desce um rio), quando chegou um carro, parou
embaixo de uma placa ‘proibido estacionar’ e subiu as duas rodas na
calçada. Desceram três homens para tomarem o cafezinho da tarde deles. Se um
cadeirante quisesse passar, não dava, porque o carro do fofo estava na calçada.
Um deles é o jornalista Cesar Tralli
“.

Ela
continua: “Quando entraram e pediram para a funcionária secar a mesa do
lado de fora para sentarem, eu falei: ‘Senta no carro, já está na calçada
mesmo’. Acho que ele não ligou, ou não ouviu. Depois de 20 minutos, quando a
aguaceira tinha abaixado e eu consegui ir embora, ele [Tralli] estava lá ainda
tranquilo, com o carro na calçada. Parei na primeira esquina, avisei o
policial, mas continuo indignada com a folga do povo brasileiro”.
 
No dia
seguinte, um telespectador provocou Tralli no Twitter. “Poxa, Cesar
Tralli, que brecha!!! Carro na calçada… Logo você que fala de
cidadania!”. Tralli, então, negou que estivesse no carro
.

“Não tenho nada a ver com o carro. Eu estava a pé, meu amigo. E fui embora
a pé”, respondeu o apresentador do SP TV 1ª Edição, que uma semana antes
repreendera no ar policiais que estacionam carros da polícia em qualquer lugar.
Questionada
no Facebook sobre o desmentido de Tralli, Rebeca reafirmou que o
jornalista estava no carro da polícia. “Era impossível andar na Haddock
Lobo. Nem calçada tinha quando ele chegou [à Casa Bauducco]. Vai ver ele anda
sobre água, abre mares e eu é que estou doida e o vi saindo de um carro
sequinho
!”, ironizou.
 
Cesar
Tralli já tem antecedentes de intimidades com a polícia. Em 2005, esteve no
centro de uma polêmica ao filmar a prisão, pela Polícia Federal, do filho do
ex-prefeito Paulo Maluf, Flávio Maluf. Tralli usava boné e roupas parecidas com
a de policiais e foi confundido com um deles.
A
averiguação preliminar, como o nome diz, é uma investigação inicial. Pode-se
tornar um processo administrativo, resultando em advertência e até
demissão, dependendo da gravidade.
Outro
lado
A
Globo, assim como Cesar Tralli, negou que o apresentador e Robinson Cerântula
estivessem no carro da polícia. “Eles estavam trabalhando e chegaram ao local a
pé e não usando a viatura da polícia
“, informou a emissora
em uma curta nota.
O
delegado Antonio de Olim disse ao Notícias da TV que
Tralli e Cerântula almoçavam nos Jardins quando combinaram com ele um café na
Casa Bauducco. “Tenho
amizade com ele [Trall
i]”, afirmou. 
Ex-chefe
da Divisão de Crimes contra o Patrimônio do Deic, departamento de elite da
Polícia Civil e atualmente titular da Delegacia do Aeroporto de Congonhas, na
zona sul, Olim sustenta que estava nos Jardins investigando uma quadrilha de
ladrões de relógios Rolex. Essa quadrilha, conta, assalta turistas que
descem no aeroporto e se hospedam nos Jardins. Um diretor da Globo teria sido
vítima desses bandidos. Ele usava um carro descaracterizado para não chamar a
atenção.
Olim,
que é candidato a deputado estadual, afirma que quando chegou ao café
Tralli e Cerântula já estavam no local. Admite ter errado ao parar o carro em
local proibido e sobre a calçada. “Mas não dava para descer do carro, a enxurrada
era muito forte. E foi só a roda da frente que ficou sobre a calçada
“,
diz.
 
 

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